quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tributos e tarifa da energia pesam sobre a competitividade brasileira e provocam perda de mercado

Caso recebessem do governo brasileiro tratamento similar ao dado às mesmas cadeias no exterior no que se refere à energia, vários segmentos da indústria nacional, como o de ligas ferrosas e celulose, poderiam aumentar sua competitividade na disputa por mercados importantes fora do país. Também poderiam reduzir seus preços no mercado doméstico, contribuindo para o nosso desenvolvimento. Mas os sucessivos aumentos da tarifa de energia elétrica industrial e a pesada carga de encargos tornam cada vez mais difícil que isso ocorra.

Pesquisa da Advisia Management Consulting mostra que esses dois setores sofrem com o custo da energia elétrica em seus processos. No setor de celulose, a energia com peso de 21% é o segundo item mais caro do processo industrial. O primeiro é a sua principal matéria prima, a madeira, com 54%. A título de comparação, o Canadá fica em segundo lugar nessa escala: lá a energia representa 12% do custo. Há outros países, como a Finlândia, onde a energia significa 1% do custo de produção da celulose.

Em ligas ferrosas, a situação é ainda pior: a energia significa 24% dos custos da indústria brasileira. A título de comparação, na China, o peso da energia no custo de produção é de 17% e na Rússia, de 9%.

Nas Américas, Brasil tem o segundo maior preço do gás natural.

Aqui, custa o dobro do que nos EUA.

O gás natural é importante para a nossa indústria, mas é caro. Nas Américas, o nosso gás é o segundo mais caro. Em primeiro está o Chile. Comparando com os valores cobrados nos EUA, chegamos a pagar o dobro. Para ter preço competitivo, o PEC defende mudanças em questões ligadas ao transporte do gás e que sua comercialização seja feita com base nos preços internacionais, entre outros pontos.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Tarifas da Comgás: exemplo a ser seguido

As entidades promotoras do PEC vêem com satisfação a redução dos valores das tarifas de gás natural da Comgás. A Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) determinou, na última sexta-feira, reduções da ordem de 7% a 12% nas tarifas dos consumidores industriais da distribuidora. Mas é preciso que os demais estados também repassem a redução de custos do gás para os consumidores.

“A redução contribui pelo menos um pouco para aliviar os custos da energia dos grandes consumidores”, afirma o presidente-executivo da ABRACE, Paulo Pedrosa, acrescentando que a expectativa é que os demais estados sigam o exemplo. Outra questão importante de se considerar, na avaliação do executivo, é que se trata de um aspecto conjuntural. “Essa redução ajuda, mas não é suficiente para garantir a reversão do quadro dramático que a indústria vive em relação ao insumo. Hoje, nossas fábricas pagam aproximadamente o dobro que suas concorrentes nos Estados Unidos”, acrescenta.

Segundo a agência reguladora, a variação nas tarifas se deve à redução de 16,39% no preço médio do gás adquirido pela Comgás. Conforme explica o assessor em Energia Térmica da ABRACE, Rodolfo Danilow, essa redução foi possibilitada graças a dois fatores decisivos: a variação cambial favorável, que influenciou na fórmula paramétrica de cálculo das tarifas; e a adesão das concessionárias aos leilões de gás promovidos pela Petrobras.

Como outras distribuidoras também se beneficiaram dos valores inferiores do gás natural vendido nos leilões, a ABRACE defende que elas também reduzam suas tarifas. “É preciso que as agências dos demais estados também garantam o repasse do benefício aos consumidores”, alerta Pedrosa.